Solange era voluntaria em um hospital que cuidava de crianças com câncer. E foi em um dia de voluntaria que conheceu Felipe, um garoto de 11 anos que era órfã e há alguns anos lutava contra o câncer, que só piorava. A história do garoto lhe chamou atenção e tal maldade também, pois o garoto foi abandonado no hospital pela mãe. Ela o levou para mais um dia de quimioterapia e então nunca mais voltou para buscá-lo. Na época Felipe tinha 6 anos. Há 4 anos ele vivia entre um orfanato e o hospital.
Em uma conversa com Felipe, ela descobriu qual era seu sonho:
Solange: Então! Hoje você vai me dizer qual é esse seu sonho?
Felipe: Meu sonho é ter uma família, antes de morrer. A senhora me entende? Queria saber como é ter uma festa, próxima semana faço 11 anos e nunca ti vi uma – o garoto sorriu e os olhos de Solange se enchiam de lagrimas
Solange pouco falou sobre o Sonho do garoto, ela tinha algo em mente, que colocou em pratica. Naquele mesmo dia, ela entrou na justiça, para conseguir a guarda do garoto.
Apesar da falta de apoio das pessoas, das amigas dizerem que ela não deveria adotar o garoto porque ele iria morrer, ela prosseguiu com a idéia e na semana seguinte, no dia do aniversario de Felipe, ela lhe deu a noticia.
Felipe: Senhora!!
Ela o entregou uma caixa de bombom.
Solange: Senhora? Posso te fazer um pedido?
Felipe: Claro.
Solange: Eu nunca ouvi isso de ninguém – Ela começou a chorar. As lágrimas a faziam tropeçar nas palavras – Eu… Queria que você me chamasse de mãe
Felipe: Como assim?
Solange: Felipe, eu te adotei. Agora eu sou sua mãe.
O garoto não conteve uma lagrima que escorreu em seu rosto. Ela o abraçou bem forte e cochichou em sua orelha:
Solange: Vamos para casa! Para casa que será sua.
O garoto não estava se agüentando de tanta felicidade, eram sorrisos, lágrimas… Mas as surpresas não haviam acabado. Chegando a casa ele se deparou com uma festa surpresa. Estava alguns funcionários do hospital, amigos do orfanato, parentes de Solange, que o recebeu cantando parabéns. Ele não acreditou no tanto de presentes que havia ganhado, não acreditava que estava tendo uma festa.
A única coisa que ele disse para Solange foi que estava muito feliz, era o dia mais feliz de sua vida. Chamou-a de anjo da guarda.
E assim foi, viveram por 4 meses, mãe e filho. Rotina de uma verdadeira família. Ele ia para a escola, depois para casa e às vezes para o hospital. Solange ainda era voluntariada e todo domingo ia ao hospital. Trabalhava 3 vezes por semana e ajudava o filho fazer as tarefas, o levava no parque… Uma verdadeira mãe.
Era para ser mais um dia desses, quando ela recebeu um telefonema da escola. Felipe havia passado mal e teria sido levado ao hospital. Aflita, ela foi ao hospital e foi informada pelo médico que a situação do filho havia piorado e não havia mais jeito. Não adiantaria mais quimioterapia. Ele estava morrendo.
O médico indicou que ele ficasse no hospital, mas ela preferia levá-lo para casa. Queria passar o pouco tempo que faltava ao lado do filho.
Solange queria chorar, gritar, alguém pra abraçar. Mas ela queria parecer forte, ela tinha que ser. Não queria que Felipe soubesse o que se passava.
Não havia explicação para tamanho amor que ela sentia por aquele garoto que não havia saído de seu ventre. Era o destino, ela tinha que ser mãe daquele que tinha o sonho de ter uma mãe que cuidasse dele.
Em uma noite, ele deitado em seu quarto, ela sentou colocou sua cabeça em seu colo começou fazer carinho em seu rosto e ele perguntou:
Felipe: Mãe, obrigado por tudo. Você foi à melhor pessoa que eu conheci em toda minha vida.
Solange: Não, eu que agradeço por ter você como meu filho. Meu anjo.
Felipe: Onde quer que eu esteja, vou olhar você, vou estar cuidando de você.
Solange: Por favor, pare de falar como se você fosse embora.
Felipe: Não precisa esconder. Eu sei que estou muito mal e não tem mais jeito - Solange entrou em prantos – Não chore. Eu quero te ver sorrindo. Se você chorar vou me sentir mal – Solange se desculpou por ter chorado, então pediu a permissão do filho para que ela dormisse ao lado dela, naquela noite. Felipe aceitou.
Aquela foi a ultima noite, aquele foi o ultimo dia que eles se falaram, que ela viu seus olhos, seu sorriso. Felipe morreu naquela madrugada, ao lado da mãe que só veio perceber sua morte quando já era de manhã.
Solange tentava cumprir a promessa que havia feito para o filho. Manteve-se forte e certa de que fez o que pode para fazê-lo feliz. Todos os dias de sua vida, ela se lembrava do ultimo sorriso do filho e assim tentava prosseguir sua vida.
Nunca é tarde demais para ser feliz e fazer os outros felizes. E nunca é tarde para se aproveitar cada dia, mesmo que seja o ultimo.
(Denis)